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[Relato de Parto] Vanessa Pangaio - Nascimento Raphael - VBA3C (parto normal após 3 césareas) Natura

Atualizado: 25 de Mai de 2019


Minha história como mãe....

Não teria como relatar a conquista do meu parto normal sem contar toda trajetória das minhas gestações anteriores. Minha vida como mãe começou aos 16 anos, quando fiquei grávida pela primeira vez. Até então tinha na cabeça que teria um parto normal, mas quando comecei a ter as contrações que achávamos que já era pro parto, liguei pro médico e o mesmo me mandou ir ao hospital e disse que ainda não tava dilatando, que provavelmente demoraria muito ainda. Eu, sem informação e com muita ansiedade em conhecer meu primeiro filho, me deixei levar pelas palavras dele e caí na primeira cesárea, em 14/09/1999, onde nasceu Fernando. A segunda gravidez demorou pra acontecer, engravidei novamente no ano de 2007 e a DPP do João Vitor era próxima do aniversário do meu esposo. Então ainda sem muita informação sobre os riscos de uma cesárea eletiva e querendo presentear meu esposo com o nascimento do nosso filho, caí na segunda cesárea que, segundo o médico, eu merecia. A terceira gravidez aconteceu em fevereiro de 2010. Nessa eu já queria muito um parto normal, pois a recuperação de uma cesárea era muito difícil e, dessa vez, eu ia ter que me virar sozinha, pois minha mãe estava trabalhando e não teria como me ajudar. Mas quando eu questionava os médicos pelo parto normal, eles vinham com aquela resposta "seu útero não aguenta, se você entrar em trabalho de parto ele vai romper" e, com toda pressão de casa, desisti, pois achei que eu era louca e estava colocando tanto minha como a vida de meu filho em risco, sem real necessidade. Então no dia 29/12/2010 nasceu Gabriel. Fiquei frustrada, não me conformava em ter desistido do meu parto. Não consegui amamentar, era como se involuntariamente eu o rejeitasse. Chorei muitas vezes por me sentir incapaz de ter lutado pelo que eu queria. Dessa vez roubaram o meu parto e eu me permiti. Não briguei pelo o que eu queria. Minha recuperação foi horrível, sentia muitas dores na cicatriz e, além de tudo, havia ficado uma marca na alma. Quando o Gabriel tinha uns três meses engravidei novamente. Fiquei apavorada com a idéia, mas logo depois foi constatada que era uma gestação anembrionária. Com aproximadamente 12 semanas meu corpo se encarregou de fazer o aborto. Fiquei triste com tudo isso, mas tinha que seguir em frente. Foi aí que falei com meu esposo "quero fazer um plano de saúde pra quando tivermos outro filho eu escolher como quero que ele nasça". Tola eu, não sabia como estava o sistema obstétrico no nosso país. Daí, num descuido de um dia veio a quarta gestação. Não estava nem atrasada e já sabia que estava grávida. Comecei a fazer o pré-natal com GO do plano e, por voltar de 12 semanas, comentei com o médico que queria ter normal, não queria ser submetida novamente a outra cirurgia, daí ele me sentenciou a morte, me chamou de louca e fez questão de escrever no meu prontuário para que, caso eu viesse a óbito, minha família não o processasse. Mas dessa vez não me deixei abater, argumentei com ele que era possível sim e que iria correr atrás do meu desejo. Deus então colocou na minha vida Aline Amorim, que teve toda paciência em me mostrar que com plano não ia parir de novo. Me vi perdida. Como em seis meses ia conseguir o dinheiro pra pagar uma equipe pra realizar meu sonho de parir? Eu sabia que era capaz e queria muito, então comecei a buscar e algumas meninas dos grupos virtuais resolveram me ajuda. Ganhei algumas coisas e comecei uma campanha pra levantar o dinheiro pra poder pagar a equipe. Não tenho como deixar de dizer que nessa gravidez Deus me abençoou grandiosamente, minha saúde estava perfeita, pessoas do Brasil todo se mobilizaram por mim, confiaram na minha capacidade e resolveram abraçar a minha causa. Fui as reuniões do ishtar, onde cada vez mais ficava certa de que eu ia conseguir. Claro que tinha alguns medos, mas que não me deixaram abater. Enfim, com muita luta, consegui arrecadar todo o dinheiro do parto, só faltava agora chegar a hora dele nascer.

Enfim a hora chegou...

No domingo do dia 25/11/2012 passei o dia me sentindo desconfortável estava com 41 semanas e nada havia acontecido, meu marido que estava no Rio tinha que vir pra casa e eu não queria que ele viesse, era como se meu eu já soubesse que as coisas iam acontecer. Pois bem, aproximadamente às 4:00 da manhã a bolsa rompeu e logo vieram as contrações. Liguei pra Aline e pedi que ela viesse, já fiquei no chuveiro, relaxando um pouco... Logo Aline chegou e conversamos um pouco, as contrações vinham, mas eu consegui suportá-las. Aline fazia massagens por algumas vezes, outras vezes eu ia pro chuveiro, conversávamos e assim o tempo passava e eu não percebia. Logo chegaram Maíra e Valéria, Maíra monitorou Raphael e seus batimentos sempre ótimos, conseguia relaxar bem entre uma contração e outra e, em alguns momentos consegui até cochilar... Maíra precisou ir embora e Valéria trocar a câmera pois tinha pego a do seu esposo, acho que não esperavam que fosse tudo acontecer tão rápido, rs... Realmente não consegui ver o tempo passar e, por volta de 15:00 hs, comecei a sentir os puxos do expulsivo. Veio a vontade de fazer força, era incontrolável, essa parte pra mim foi a mais tensa, ainda estava em casa... Aline logo pediu que chamasse o táxi , minha mãe ficou nervosa com receio que nascesse em casa... Com muito custo consegui descer as escadas e entrar no táxi. Nessa parte lembro vagamente das coisas... Na chegada no hospital mais problemas. Não queriam fazer minha internação alegando não ter vaga e que só trabalhavam com procedimentos agendados, ou seja, cesárea. Mas depois de muita luta da Aline e Valéria e de quando arrumei forças pra descer do táxi, Maíra me auxiliou até a recepção, lá veio outro puxo e vontade de fazer força, me agachei no chão e veio aquele gemido e rapidamente vieram com a maca... às 16:41 aproximadamente, pois ninguém lembrou de ver a hora, Raphael nasceu na banqueta de cócoras, após três forças. Foi um momento mágico, maravilhoso, poder sentir seu corpinho passando pelo canal... Nosso primeiro momento junto não foi roubado. Logo ele veio pro meu colo e mamou. Pude senti-lo quentinho, escorregadio e com aquele cheirinho delicioso. Nesse momento só me veio na cabeça os meus partos roubados, os filhos que não pari por culpa desse sistema obstétrico que nos levam a fazer cesárea... Ali nasceu, junto com o Raphel, uma nova Vanessa que soube que era capaz, que podia sim sentir suas contrações, sentir os puxos do expulsivo e trazer seu filho ao mundo de forma natural, sem ocitocina, sem analgesia, sem esses procedimentos rotineiros. Rapha nasceu em 12 hs de trabalho de parto, com 50 cm, 3,650 kg e apgar9/10. Tive uma pequena laceração e só fiquei triste porque meu marido não pode participar pois não estava no Rio. 

Não sou muito boa em escrever e expressar meus sentimentos. Espero que com esse relato vocês consigam vivenciar toda minha felicidade em ter conquistado o meu tão sonhado parto.

Quero agradecer demasiadamente a Aline Amorim, minha doula, que sempre teve muita paciência comigo e me mostrou esse mundo tão maravilhoso da humanização.

Marcos Nakamura, obrigada por ter me passado tanta confiança, me mostrando que era possível sim. Ana Fialho, Karine Vasconcellos, Malila Wrigg, Maíra Libertad, Valéria Ribeiro,Ingrid Lofti, Juliana Fernandes Monteiro, Luciana Fernandes, toda mulherada do Ishtar e aos grupos de parto que faço parte que contribuiram comprando as rifas para que eu pudesse pagar meu parto e conquistar meu VBA3C.

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