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[Relato de parto] Nathalia Machado - Nascimento da Giovanna - Parto Natural Hospitalar


Primeiro gostaria de fazer uma rápida retrospectiva da minha história. Sou casada há quatro anos com o Rafael e estamos juntos há doze anos. No início de 2012 resolvemos que era o momento certo de ter um filho.

Passou-se quase um ano de tentativas e nada. Depois de um episódio de dor intensa seguida de sangramento, um beta HCG positivo com suspeita de aborto espontâneo não confirmado pelos médicos, exames e mais exames, descobri que tinha endometriose e operei em março de 2013.

Depois da cirurgia, tomei por três meses um hormônio para tratamento (não é pílula, mas diminui a ovulação). Encerrada a última cartela, fiquei no aguardo da menstruação para fazer exames da função ovariana. Esperava ter que fazer tratamento para engravidar.

Fazia algumas semanas que vinha sentindo certo enjôo e uma azia tremenda até que uma amiga do trabalho me alertou que eu poderia estar grávida. Até então achava que ainda estava sob efeito do hormônio... O que pensa uma pessoa desacreditada de que poderia engravidar??

Fiz o teste de farmácia e surpresa: POSITIVO. Exames feitos e já estava com quase oito semanas quando descobri.

Da descoberta da gravidez até a data do parto, foram 31 semanas de muito amor, pesquisa e estudo sobre a forma como minha filha viria ao mundo. Descobri e mergulhei no mundo da humanização do parto. Sempre tive pavor de cirurgia e cesariana não era uma opção. Fui criticada por muitos e admirada por outros pela escolha. Firme da decisão, as próximas etapas incluíram o convencimento do marido e da mãe, abandono do médico do plano de saúde e busca por equipe humanizada, idas ao grupo de apoio Isthar, leitura dos livros: “Parto com Amor” e “Parto Ativo”, estudo de artigos, blogs, participação em grupos do facebook e aulas de Pilates para preparação para o momento mais importante da minha vida.

Equipe fechada com a doula Aline Amorim, uma linda que me deu muito apoio durante a gravidez, muitas orientações e que considero uma amiga; e a obstetra, Dra Ana Fialho, que conquistou nossa confiança já na primeira consulta, com seu jeito carinhoso e amigo, dando todos os esclarecimentos sobre o parto e cuidados com o bebê, chegou o tão esperado dia.

38 semanas

Com exatas 39 semanas, no dia 02/03/2014, fui acordada na madrugada por uma leve cólica do tipo menstrual. Dos sintomas do início do trabalho, sabia que esse era um deles. Não avisei de imediato ao Rafael. Fiquei ansiosa, mas procurei descansar mais um pouco, pois o dia seria longo. No domingo pela manhã as cólicas permaneciam e com uma intensidade um pouco maior, mas totalmente tolerável. Contei ao meu marido para que ficássemos preparados. Minha mãe nos chamou para almoçar na casa dela. Antes de sair, mandei mensagem para a Aline, para deixá-la de sobreaviso quanto à possibilidade do parto estar próximo. Saímos de casa por volta de 13:30 da tarde. Depois do almoço, as contrações começaram a se intensificar. Estavam completamente suportáveis e espaçadas, mas já mostravam uma regularidade de 10 em 10 minutos mais ou menos. Tentamos ver um filme, mas não deu certo. Não consegui me distrair, pois as cólicas vinham diminuindo de intervalo. Por volta das três da tarde, vinham de 7 em 7 minutos e decidi ir para casa arrumar o que faltava levar para a maternidade. Comecei a sentir vontade frequente de ir ao banheiro. Às 15:45 avisei à Aline que era mesmo o trabalho de parto. A princípio, ela viria aqui para casa me dar assistência, achando, nós, que ainda iria demorar a evoluir. Avisei à Dra Ana também, que me disse que provavelmente a fase ativa se iniciaria à noite. O TP evoluiu rápido. Por volta das 17 horas pedi que o Rafael buscasse minha mãe, pois sabia que não iria aguentar buscá-la em casa antes de ir pro hospital. Fui para o chuveiro com as contrações de 5 em 5 minutos. Já estavam bastante intensas e dolorosas. Voltei para cama, fiquei de joelhos inclinada para frente e apoiada sobre uma pilha de travesseiros. O intervalo entre as contrações estava diminuindo e aumentando a dor progressivamente.

Logo em seguida, Rafael e minha mãe chegaram. Pedi que ele avisasse à Aline que as contrações estavam de 3 em 3 minutos. A bolsa estourou, corri para o chuveiro e já não sentia mais intervalos durante as contrações. Achei que fosse parir em casa, que não daria tempo de chegar à maternidade e só pensava em encher a piscina na minha sala! Rafael ligou novamente para a Aline avisando. Não daria tempo de ela chegar aqui em casa porque a entrada da Ilha estava parada e as contrações estavam muito fortes, acho que a cada minuto. Resolvemos ir para a maternidade. Ela avisaria à Dra Ana.

Chegamos à Casa de Saúde Santa Lúcia por volta de 18:30. Dra Ana já estava lá e me examinou para a internação. Fez o toque (o único de toda a gestação) e estava com 5 para 6 cm de dilatação. Continuava saindo líquido da bolsa e as dores pioravam. Estava aguardando a liberação do plano para ir para o quarto do parto.

A Aline chegou e ficou comigo na sala de emergência fazendo massagens de alívio e falando palavras de incentivo. Cheguei a falar com ela que achava que não iria aguentar e ia pedir anestesia, mas ela me alertou: "lembra do porquê que não queremos a anestesia?" (Ou algo assim... Não pensei mais nessa possibilidade). Lembro que minha mãe ficou comigo nessa sala também. Fiquei lá por cerca de uma hora. Enfim Rafael conseguiu resolver o problema do plano e fomos para o quarto de parto. Subi de maca. Não aguentava mais andar e nem pensei em recusar quando a enfermeira ofereceu, mas não fui deitada. Só conseguia ficar de quatro apoios. Já estava na partolândia e não percebi se havia outras pessoas me olhando naquele estado... A esta altura não nos importamos com nada! Devia ser quase oito horas da noite. Chegamos ao quarto e voltei para a minha posição de alívio, com os joelhos no chão, inclinada para frente e apoiada no sofá. Não conseguia me mexer nem falar enquanto eles enchiam a piscina. Acho que recebi algumas massagens nas costas do Rafael, da Aline e da minha mãe se revezando.

Piscina cheia, me inclinei de joelhos, apoiei na borda e fiquei assim até a Giovanna nascer, às 22:36 da noite, em pleno domingo de carnaval.

Lembro que a Ana auscultou algumas vezes o batimento cardíaco fetal, a Aline e o Rafael tiveram suas mãos esmagadas de tanto que apertei e recebi muitas palavras de carinho e incentivo.

Senti o círculo de fogo, a hora em que Giovanna corou, e o alívio quando ela saiu toda na última força que fiz. Não lembro quantas, mas lembro de ter perguntado à Ana se podia começar a fazer força, pois estava com uma vontade incontrolável. Acho que não tive intervalo entre as contrações da fase ativa e o expulsivo. A transição foi bem rápida. Giovanna nasceu na piscina, a Ana a retirou da água e me entregou de imediato. Acho que fiquei meio atrapalhada e meio sem jeito que nem a vi na água. Quando me dei conta, já estava com ela nos braços, chorando e rindo ao mesmo tempo, beijando sua cabeça, abraçando e repetindo: "minha filha, minha filha linda"... "Meu Deus, meu Deus!"... Mostrei para o pai: "nossa filha, amor!". Era tanta felicidade que transbordava uma emoção sem tamanho!

Giovanna ficou comigo dentro da piscina ligada ao cordão umbilical. Deu sua primeira mamada enquanto esperava a placenta nascer, depois de mais de 1 hora. Rafael cortou o cordão. Saímos da piscina e, enquanto a Ana me examinava, Giovanna era pesada, medida e vestida pela avó. Tive uma laceração no pequeno lábio que me rendeu 3 pontos. Períneo íntegro.

Fomos juntas para o quarto. Giovanna recebeu a injeção de vitamina k apenas e mais nenhuma intervenção. Voltamos para nossa casa na terça-feira, radiantes de alegria e com nosso maior presente nos braços. Agradeço a Deus em primeiro lugar, meu marido e minha mãe que me apoiaram até o fim, e à equipe maravilhosa que me assistiu, me dando confiança e força pra suportar a dor até o nascimento, sem nenhuma intervenção e cheia de ocitocina.


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