[Relato de parto] Nascimento do Henrique - Larissa de Mello - Parto normal no SUS


"Bem... Meu parto começou bem antes de chegar a hora de parir mesmo... Ele começou quando minha cesárea estaria quase que certa pelo fato de eu ter feito cirurgia bariátrica (antes mesmo da 10ª semana de gestação)... Isso não só ampliou minha vontade de ter um parto normal. ;na verdade eu abri uma porta dentro de mim e busquei indicação e orientação e a cada dia de gestação eu tive cada vez mais e mais acesso a informações estarrecedoras de como é crítico e precário o atendimento a gestante. Descobri que eu precisava lutar pelo meu parto. Lutar para ter respeito e ser protagonista do meu momento. Decidi então, após ler o blog todo contratar a Aline pra ser minha doula. Houve empatia, algo dizia "essa é sua doula". Enfim eu tinha uma doula e decidi pelo SUS. Essa seria uma boa forma de parir naturalmente, pois infelizmente me faltavam recursos para o parto domiciliar. Enfim com 38 semanas + 2 dias (10/4/2015) estava eu em consulta de rotina no pré-natal (pelo SUS), quando por um exame de toque (que eu deveria ter negado) foi constatado que eu estava com 5-6 cm de dilatação. Pensei eu "uau passagem eu tenho!!! uhuuu!" Porém a médica me aterrorizou falando que teria que induzir, que eu estava internada naquele momento, que o bebê poderia "escorrer" pelas pernas e blá blá blá... "Fugi" do hospital pois sabia que msm com dilatação não havia trabalho de parto. Eu precisava de tempo e esperar o bebê querer sair. Enfim, fiquei sem pré-natal e comecei a pensar em algum acompanhamento até a tão sonhada hora chegar. (VO 1). Enfim no dia 14/4/15 fiz várias coisas para deixar tudo arrumado pro parto/pós-parto. Fiz comida, lavei a área, fui ao mercado, comprei lona pra piscina, aspirei e passei pano na casa e etc etc. Dirigi de Olaria até minha casa no Riachuelo, pois meu marido buscou um carro onde ele faria um serviço de transporte no dia seguinte... Enfim, havia em mim uma energia inacabável. nesse dia por volta das 21hs fui ao banheiro com bastante dor de barriga... Depois disso decidi dormir. Dormi rápido e profundamente. Quando deu meia noite (mais ou menos) eu senti forte incômodo nas costas. Levantei e fiquei me alongando. Fui fazer xixi e havia bastante resquício de tampão. Enfim tentava dormir e não rolava. Tomei banho, comi biscoito, tomei outro banho, joguei no celular, quando as 2 da manhã as dores eram reais e intensas. Mas parecia dor de barriga de novo... Tomei buscopan e pensei se for dor de barriga vai passar se não passar fudeu (rsrsrs). 3:30 da manhã não dava mais.. Chamei meu marido. Pedi pra ele contar as contrações e já estavam próximas e doloridas (pra cacete) por volta de 5:30 ou 6hs (não lembro) Aline chegou na minha casa (alívio). Bem, estava certa de que era a hora. E fiquei p da vida pq meu marido tinha o tal serviço de transporte. Haveria possibilidade dele não ver o bebê nascer. Enfim, chegamos na maternidade. De cara o mala do enfermeiro já falou que ali não era a maternidade para eu ir... Respondi seca "tenho doula e tenho plano de parto" (queria ter respondido VTNC, mas me contive). Entrei na triagem, constatado 8 de dilatação. Ok. eu pensei, vai ser hj...


Na sala de parto mais um toque (Me pergunto pq minha voz não saía para eu negar aquilo) ai ficou uma discussão se 8 ou 10cm. Não lembro bem, mas acho que isso era 8 da mahã + ou -.

Meu marido falou cmg que ia entregar o carro e voltar. Nos abraçamos, e racionalmente estava tudo bem, pois era o que precisava ser feito, mas por dentro havia grande tristeza.

Então Alexandre foi resolver tudo. Decidi ir pro chuveiro pouco depois disso. Acho que a saída dele cortou um pouco minha vibe, mas o chuveiro era libertador e reconfortante... Só que nesse dia na MMA havia muita pressa. Havia muita gente querendo apressar o meu processo. Muita gente disposta a não deixar a coisa fluir naturalmente. E em uma suposta avaliação a enfermeira Cora rompeu minha bolsa. Sem meu consentimento e sem eu saber. (VO 2). Triste, na verdade ainda mais triste eu fiquei, pois não fui respeitada. Aquilo me deu vontade de estar na minha casa, queria poucas pessoas ali mas sempre tinha um monte gente(VO 3, não respeitaram o que eu pedia). Num determinado momento ouço uma voz histérica vindo da porta do banheiro, era uma médica Ana Carolina que berrava para eu sair dali pois segundo ela estava atrapalhando. Como ela sugeriu apenas me avaliar e sair eu topei sair do chuveiro, já que ela se recusou ir até a mim.


Quando eu saí ela apertou a lateral da minha barriga e mandei ela tirar a mão de mim, mas ela se fazia de a detentora de todo o conhecimento e disse em alto e bom som que eu não podia fazer o que eu quisesse e sim ela que ia fazer meu parto.

Essa frase me fez ter a certeza que ela faria uma epsiotomia em mim. Desesperada, cansada, com um bando de gente me olhando eu gritei e mesmo sendo impedida eu levantei da cama e disse não vou deitar pois vc vai fazer epsio em mim...Não lembro muito bem do momento mas depois de falar que não faria o que ela queria e depois de ser ameaçada por essa médica a ser levada a força pra cesárea deitei, mas não queria ninguém mexendo em mim. Milagrosamente, meu marido voltou, pois havia resolvido la a questão do carro e a médica enfim silenciou a voz (irritante) dela. E foi fazer uma cesárea em outra pobre mulher. (VO 4). Novamente "a sós" com a presença do meu marido eu estava novamente no prumo para parir. Porém, eu estava cansada, me sentindo um lixo, com medo de mais alguém entrar e encher o saco, de saco cheio de ser tolida e desrespeitada, e sem forças pra gritar e mandar todo mundo TMNC.


Lembrei de vários momentos em que idealizei meu parto, o quanto queria estar em casa parindo, quem sabe na água.

Procurei mais algumas posições, mas quando deitei minhas costas relaxaram e senti vontade de fazer força. Lá pela quarta força senti o círculo de fogo, então ele nasceu as 12hs do dia 15/4/2015. Chegou ao mundo o meu filho Henrique, meu bebezinho que não tinha nada de "inho" Nasceu com 3865kg e 52cm. Era lindo, mais lindo do que eu havia sonhado. Ainda tive que me aborrecer com a parte pediátrica que ficou enchendo o saco pra dar vacina, mas depois disso ficou tudo calmo. Mais um tempo depois Henrique deitou em mim e mamou.

Esse é meu relato de parto onde eu ainda estou tentando digerir o porque de tudo isso ter acontecido comigo. Mas ainda certa que PN é tudo. O sistema é terrível e não está de brincadeira, mas se meu relato puder um dia inspirar uma mulher a não desistir de parir respeitosamente, eu terei cumprido minha missão nesse mundo.

Conselhos: *Doula é tudo. *Empoderar-se é tudo. *Não se reprima. Na hora de gritar, grite e não se deixe levar por médicos que pensam em sua conveniência e não em você! ‪#‎sabemosparir‬ ‪#‎gostamosdeparir‬

Mais amor para todas! Beijos! Larissa"


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