[Relato de parto] Nascimento do César - Carolina Vasconcelos - Parto natural hospitalar


Boa tarde!

Hoje compartilho com vocês o relato de parto da Carol (que já escreveu depoimento). Foi um parto natural humanizado no hospital! <3

"Para mim, o primeiro sinal de que César não demoraria a chegar foi a perda do tampão mucoso. Estava com 40 semanas e 1 dia quando, durante um banho, notei a saída de uma secreção viscosa, semelhante a clara de ovo crua, com raios de sangue. Vai parecer bobo para quem nunca teve um bebê, mas como eu fiquei feliz!!! Na mesma hora liguei para o marido e avisei a doula. Era meu corpo dizendo que estava trabalhando para trazer meu bebê ao mundo.

No dia seguinte, tinha consulta de rotina já marcada com a GO.

Contei sobre a saída do tampão (fato que se repetiu naquele segundo dia) e sobre as contrações que apareciam eventualmente. Conversamos, ela aferiu minha pressão arterial, auscultou o bebê e estava tudo bem. Era esperar a hora chegar!

Voltei pra casa e logo ao anoitecer as contrações apareceram! E eu ficava cada vez mais feliz! Tinha certeza que eram sinais da chegada do meu filho, mas não queria me precipitar. Afinal, cerca de dez dias antes, eu também havia passado uma noite inteira com contrações, porém irregulares e que cessaram ao amanhecer (os famosos pródomos). Sendo assim, eu e meu marido avisamos apenas a doula o quê estava acontecendo.

Comecei a contar o intervalo entre as contrações em torno das 19h do dia 24 de março. Inicialmente, cerca de vinte minutos separavam uma contração da outra, a qual me parecia uma cólica menstrual intensa. No intervalo entre elas, eu conseguia comer, conversar e descansar. Durante toda a noite foi assim, contrações intervaladas que duravam de um a três minutos. Não consegui dormir (aliás já não conseguia deitar na cama há muito tempo por conta do barrigão), resolvi ficar no sofá, mas pedi que o marido fosse descansar pois imaginava que a madrugada seria longa.


Às 01h do dia 25 de março, durante o descanso entre as contrações, sou acordada pela sensação de um líquido quente saindo de mim – a bolsa tinha estourado! Fui até o banheiro, chequei que o líquido estava transparente, não senti nenhum odor característico (não era xixi...rsrs) e corri pro quarto para avisar o marido! Ele me perguntou o que faríamos e eu disse que, por enquanto, nada. As contrações ainda eram espaçadas (cerca de 10 minutos entre eles). Pelo celular, eu mandava mensagens pra doula contando as novidades.

Às 04h, “o bicho pegou”! Eu não passava mais do que cinco minutos sem sentir uma contração e elas já eram bem doloridas. Era hora de acordar o marido e pedir que ele ligasse para doula, convocando-a para ir até a nossa casa. Eu imaginava que minha hora estava chegando...que ilusão!rsrs

Quase 06h, a doula chega e fica responsável por marcar o intervalo entre as contrações. Quando as contrações chegam, faço de tudo para controlar a dor – fico agachada apoiada na beira da cama ou do sofá, deixo a água quente do chuveiro cair nas costas enquanto faço movimento de balanço com os quadris, foco na respiração e tento vocalizar a dor. Lembro de todas as dicas dos livros que li e conto com a ajuda da doula para encontrar métodos de alívio, além das massagens amorosas do marido nas costas.

Porém, de repente, o trabalho de parto parece “regredir”... as contrações voltam a ter intervalos de até 20 minutos, as dores são bem menos intensas e eu consigo até cochilar entre elas. Em torno das 10h, eu, meu marido e a doula resolvemos que ela voltaria pra sua casa e ficaria atenta a meu chamado caso houvesse alguma novidade. Ela desconfiava que talvez eu estivesse com pródomos intensos e não em um trabalho de parto de fato! Durante este tempo, também mantínhamos contato com a GO via mensagem telefônica.

Sem a doula, ficamos eu e marido controlando novamente as contrações e nos usando dos mesmos artifícios para controle da dor. Consigo almoçar e descansar no sofá.

Contudo, ao entardecer as contrações voltam com tudo. Mas agora elas tinham mudado de “cara”! Eu não sentia mais as tais cólicas fortes, o que eu sentia era uma grande vontade de fazer força, “jogar pra baixo”, com o perdão da comparação, a sensação se assemelhava àquela vontade enorme de fazer cocô quando se está com prisão de ventre...rsrs Eram 16h do dia 25 de março e pedi ao meu marido que entrasse novamente em contato com nossa doula!


Não demorou muito para a doula chegar e verificar que, de fato, algo havia mudado do cenário que ela deixou. Entramos em contato com a GO e resolvemos encontra-la para que eu fosse examinada, já na maternidade, uma vez que ela se encontrava lá por conta de uma outra gestante. Tomei fôlego para conseguir descer os quatro andares do meu prédio e entrar no carro. O caminho me pareceu infinito até a maternidade...as dores eram bem fortes e a vontade de fazer força cada vez maior.

Na maternidade, ao receber o exame de toque (o primeiro de todo o pré-natal), recebi junto a notícia que mais esperava – quase já não tinha colo, minha GO estimou 9,5 de dilatação. Nessa hora, chorei! Agradeci a GO e a doula por todo o amparo até ali...eu tava pronta para parir meu filho!

Subimos para uma sala onde se daria o meu parto. Fui toda paramentada com roupão, touca e meias descartáveis...nada disso durou por muito tempo. Conforme vinha a vontade de fazer força, eu arrancava cada item daquela roupa e ao final estava nua...rsrs

Pedi pra jogarem o colchão no chão e me fiquei nele, hora de quatro apoios, hora de joelhos apoiada na maca, mas só fui encontrar minha posição ideal de cócoras, sentada em uma banqueta, sendo amparada pelas costas pelo meu marido. Senti que era assim que receberia meu filho ao mundo.


Até aquele momento, juro que a dor era suportável e em nenhum momento pensei em pedir qualquer tipo de analgesia. Mas o círculo de fogo, aquela ardência gerada quando o bebê coroa, essa “me pegou pelo pé”! A força vinha e eu tinha medo de obedecer tamanha era a ardência que eu sentia. Lembro de pensar “não é possível que seja assim”, “vou me rasgar toda”...rsrs...Hoje, é engraçado lembrar que eu pedia à equipe que “jogassem uma água”, “me ajudassem a fazer o bebê sair mais fácil”, mas na hora precisei que eles me lembrassem que era necessário vencer a ardência, que eu fizesse a força que meu corpo pedia!

E quando eu finalmente resolvi fazer o que meu corpo me mandava, César nasceu. Todinho em uma contração! Nasceu gritando, rosinha, Apgar 10 às 23h48min do dia 25 de março, trinta horas após eu sentir minhas primeiras contrações e com 40 semanas e 3 dias de gestação.



Foi me dado no colo, levado ao meu seio, sentiu o abraço do pai e assim ficamos até a saída da placenta. Só aí então, o cordão umbilical foi cortado pelo pai, após parar de pulsar. Apesar da sala estar gelada, com a ajuda da doula, solicitamos que o bebê não fosse levado de mim tão depressa e, após checarem que sua temperatura estava ok, trouxeram cobertas aquecidas que foram jogadas em cima de nós dois para que ali ficássemos nos conhecendo e estabelecendo o vínculo.


Meu bebê nasceu com um pouco mais que 3kg e, mesmo assim, tive apenas uma pequena laceração de primeiro grau que sequer necessitou de pontos.

Nossa separação só se deu para que ele fosse medido, pesado e vestido, o que aconteceu no berçário sob a supervisão do pai. Logo, nos reencontramos e ele mamou pela primeira vez, com vontade, com força e eu só podia agradecer a Deus o milagre que havia acabado de vivenciar!


Com este relato, pago minha dívida com todas as mulheres cujas palavras e vozes de seus relatos me fizeram ter a certeza do quão mágico e do quão possível é parir!

Nós sabemos parir, nós gostamos de parir e queremos fazê-lo com dignidade; este é um direito que jamais poderia nos ser negado com falsas indicações de cesárea, terrorismo e violência obstétrica durante o parto por parte de maus profissionais.

Palavras da minha doula: o empoderamento não é algo que se compra, mas se constrói. E eu te digo: Construa você o seu! Não deixe na mão de ninguém as decisões que só cabem à você como mulher e gestante. Estuda, estuda, estuda!!! Abra os olhos, não se deixe enganar. Peça uma segunda, terceira, quarta, vigésima opinião, ouça o relato de quem já passou pelo o que você poderá viver...”Tome as rédeas” e se permita viver esse sonho. Parir é muito bom!!! Não se negue essa emoção; não por medo, não por mitos, não por ilusões!!!

Definitivamente, nós sabemos parir!!!

Para aquelas que, assim como eu um dia, se animaram com o relato de parto, deixo as fontes seguras de informação com as quais muito aprendi para tornar meu parto real:

DVD: O Renascimento do parto (Érica de Paula e Eduardo Chauvet)

Livro: Parto Ativo – Guia Prático para o Parto Natural (Janet Balaskas)

Sites:

Parto no Rio

Blog da obstetra Melania Amorim

Páginas no Facebook:

Ana Cristina Duarte – Obstetriz

Melania Amorim

Ishtar – Grupo de Apoio ao Parto Natural

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