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[Relato de Parto] Livia Branco - Nascimento do Enzo - Parto Natural no SUS


Compartilho com vocês o relato de parto da Livia, que conseguiu parir seu filho naturalmente em um parto cercado de respeito, empoderamento e muito amor no SUS.


Antes de começar meu relato de parto eu queria dizer a minha percepção sobre o que foi parir. As pessoas sempre me perguntam "E ai, agora que fez essa loucura, não preferia uma anestesia? Uma cesárea?" , quem pergunta isso com certeza nunca experimentou a delícia que é parir naturalmente com humanização. Eu teria um time de futebol se dependesse exclusivamente da sensação de parir. Não, eu não disse que não doi, as contrações na fase ativa então doem pra kct, mas a dor vem acompanhada de sensações deliciosas. Você sabe que é seu filho chegando, você sente seu corpo trabalhando e nada muda isso, você se sente livre e se mostra como é, você deixa de lado todo mimimi social e vira um bicho que não controla seus impulsos (e isso é delicioso), você sai da casca. Quem faz cesárea está longe de ser menos mãe, muito menos medrosa. Tem que ter muita coragem pra entrar na faca. Mas eu me sinto mais mulher depois do meu parto, me sinto mais mãe por ter segurado meu filho nos primeiros segundos de vida, e sinceramente acho que todo mundo devia experimentar isso. Parir é libertador.

Vamos lá... Já vinha sentindo cólicas a dias, mas no dia 06/05 por volta das 19h comecei a sentir umas dores diferentes e às 21h entendi que eram contrações. Achei que ainda fossem pródromos e iam durar dias, mas obviamente mantive minha doulinda informada das minhas dores. O marido chegou quase 23h e fomos pro quarto na tentativa de seguir a dica da Aline -relaxar, ver um filme, dormir-, mas as coisas foram ficando mais intensas e eu só conseguia pensar "qual louca consegue relaxar com contração?", elas estavam vindo meio irregulares mas numa média de 20 em 20min. Depois de meia noite parei de contar e o marido passou a fazer isso, mas sei que elas começaram a aumentar de intensidade e ficaram mais próximas. Meus pais não queriam ficar me vendo ali gemendo de dor e foram dormir depois de muito eu insistir avisando que ainda poderia durar horas. Ligamos pra Aline avisando que as contrações estavam vindo mais juntas e doloridas, ela sugeriu um banho de água quente e ligar pra ela após o banho. Minha vontade era de ficar eternamente naquele chuveiro se não fosse o fato de que estava super cansada e queria muito deitar. Voltei pra cama e por volta das 4h pedi pro marido ligar pra Aline e chamar ela, eu sabia que o Enzo estava chegando e não aguentava mais aquela dor, na minha cabeça a doula de alguma forma ia fazer a dor passar. OK OK , quem pari é a mulher, mas quando a Aline chegou (lá por volta das 6h) me deu um alivio tão grande só por ela estar ali que nossa...


A essa hora eu já não gemia mais de dor e sim gritava, acho que acordei todos os meus vizinhos. Fui novamente para o chuveiro, dessa vez as dores já estavam muito intensas, cheguei na fase da barganha, lembro que falei que as mulheres do nosso grupo de gestantes eram todas índias loucas e tentei negociar com a Aline "não precisa de cesárea não, só um pouquinho de anestesia" (sim, já estava no meu momento loucura, falando coisas que na verdade eu não queria). Tentaram me explicar o porque não da anestesia (como se alguém ali tivesse o poder de me aplicar uma) e eu gritei que não queria saber (como se eu já não soubesse tudo isso e não tivesse sido escolha minha). A cada contração que vinha a sensação era que meus ossos estavam se abrindo, e quando elas passavam o marido olhava pra mim e me dizia o quanto eu estava indo bem e sendo forte. Ele me lembrou o tempo todo que nosso amor estava chegando e que já estava acabando. Inclusive, lembro de ter perguntando mil vezes pra doula se já estava na hora de ir pra maternidade e ela fazia uma cara de alface seguido de um "já tá acabando" que me dava um profundo ódio, mas naquele momento eu teria um profundo ódio de qualquer resposta , eu tinha uma absoluta certeza que ela estava mentindo pra mim pois na minha cabeça ela já estava lá em casa a dias (sim, perdemos a noção completa de horários). A presença dela mesmo que de longe me olhando no chuveiro me dava a certeza que tava tudo bem. Começou a me dar vontade de fazer força (eu mesma não acreditei que já estava entrando na fase do expulsivo, estava preparada pra sentir dores por dias), me abaixei ali mesmo no chuveiro e comecei a fazer força. Dai por diante entrei na partolandia, não vi mais nada acontecendo, só lembro de flashes. Lembro que a Aline falou pra todos se arrumarem pra irmos pra maternidade, lembro de me jogarem um vestido (porque por mim eu sairia pelada, nessas horas o pudor é zero), lembro do Pedro praticamente me carregando pra fora de casa pq eu não conseguia andar e alguém me contou sobre como estava transito (eram 9h de uma quinta feira). Eu tinha uma preocupação enorme com o caminho até a maternidade, e sinceramente?! Foi ótimo. Se tem uma dica que posso deixar aqui é: só se desloque no expulsivo. As contrações foram trocadas por vontade de fazer força e isso foi um alívio gigante. OK, corre o risco do seu bebê nascer no carro, então não leve ao pé da letra, mas em vista da minha experiência essa é a dica.



Chegamos na maternidade por volta das 10h, mal dei entrada na emergência e já me subiram, todos falavam que ia nascer no elevador. As 10:55h do dia 07/05 nasceu meu príncipe. Ele nasceu empelicado, de parto natural, sem anestesia, sem intervenção, debaixo do chuveiro (não deu tempo de montar piscina nenhuma), no SUS, com uma equipe super humanizada e não tive nenhuma laceração (não precisei de pontos). Ele passou a primeira hora no meu colo e no do pai, eu mesma cortei o cordão após a placenta nascer e nada nesse mundo pode descrever o prazer que foi poder beijar e cheirar meu filho depois de 9 meses esperando por ele. OK, mulheres sabem parir sozinhas, mas eu não pari sozinha, eu e Pedro parimos juntos. Ele sentiu cada dor cmg, segurou não só minha mão como meu corpo todo, entrou junto no chuveiro de roupa e tudo, olhou nos meus olhos em cada contração e me deu forças pra continuar, segurou nosso filho quando nasceu, eu não conhecia nem metade de tanto companheirismo e amor.

E nós dois tivemos muito apoio pra parir. Esse parto não teria sido tão especial se meus pais não tivessem se empoderado junto comigo (meu pai lembrou do meu plano de parto ao sair de casa), se meu pai não tivesse dirigido igual um doido pra chegar na maternidade, se minha mãe mesmo sentindo minhas dores não tivesse respeitado minha decisão e entendido que era o melhor caminho, se eu não tivesse pego uma equipe tão maravilhosa na MMA, se eu não tivesse esse grupo de apoio maravilhoso que me da forças pra passar por cada etapa da maternidade (‪#‎gostamosdeparir‬) e principalmente, se não tivesse você lá Aline Amorim. Na boa, é muito possível parir sem doula, mas ter você lá pra mim foi fundamental. Mas a segurança de ter você lá na hora não foi a única vantagem do seu trabalho, você deu apoio a toda minha gestação, tirou minhas dúvidas, criou mais dúvidas no intuito deu procurar mais informação, não questionou minhas decisões, me respondia em tempo integral e instantaneamente. Se alguem acha que doula tá lá só pra fazer massagem como já ouvi algumas pessoas falando, elas não sabem de nada. Aline, você me ajudou a parir, você faz parte da historia mais linda da minha vida. Gratidão eterna pelo meu parto.



Pari de 40s+2d. O resultado de um parto tão maravilhoso? Um filho super esperto e saudável que já nasceu empoderado escolhendo a hora de sair.




Resumo da minha percepção: parir é mole, difícil foi me adaptar a amamentação. Leiam, se informem muito, procurem o IFF, amamentar é uma delícia mas é punk. Daqui a uns meses vou fazer o relato do meu puerpério também."

Importante saber: o momento ideal de ir para a maternidade é durante o trabalho de parto ativo, onde se faz necessário auscultar o bebê, ter o acompanhamento de um profissional capacitado para isso.

Proibido o uso dessas imagens.

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