{Relato de Parto] Fernanda Maciel - Nascimento da Laura


Enfim a minha hora havia chegado. A nossa hora. Quando nos descobrimos grávidos, decidimos que nosso bebê nasceria da forma mais natural e segura possível, até então, eu entendia isso como parto normal, aquele de rotina, com todas as intervenções. Foi quando resolvi buscar informação! Nesse meio tempo conheci pessoas maravilhosas que me mostraram o mundo da humanização... me mostraram a forma mais saudável e segura que minha filha poderia nascer, sem os menores riscos. Conheci minha Doula, fui às reuniões do Ishtar, recebi apoio na concretização desse sonho, e me empoderei pra enfrentar a guerra que é parir no Brasil! Mudei de GO 3 vezes. Na verdade, fugi de 3 GOs fofinhos que usavam as desculpas mais descabidas para me levar à Cesária. Então encontrei mais uma "anja" boa que me mostrou milhões de motivos pra parir, Dra. Bernadette Bousada. Foi quando percebi que para parir eu teria que abrir mão do meu plano de saúde e ir para o SUS. Foi a melhor escolha!Foram as 42 semanas mais lindas da minha vida...cheias de amor, de carinho na espera do nascimento da que chamo de meu sonho. Gestação tranquila, apenas as dores na lombar me incomodavam, parecia pesar uma tonelada.

Com 41 semanas e 5 dias, perdi o tampão pela manhã, e a tarde senti as primeiras dores, pródromos irregulares, espaçados, que ainda me deixaram dormir de 3 em 3 horas, nessa "primeira noite". No dia seguinte, as dores foram aumentando e o espaço de tempo entre elas, tbm. Falei com a minha doula, mas como não havia contrações regulares, não havia TP, então, continuei a espera, mas nessa noite já foi impossível dormir, as dores vinham de 30 em 30 min. "Terceiro dia" chegou e eu ainda não sabia se eram pródromos ou contrações, mas sabia que não estava em TP ativo. As dores ficaram menos espaçadas, 10 em 10, e no inicio da noite 4 em 4, a essa hora, a única coisa que me vinha a cabeça era correr pra maternidade. Ligava pra Aline, e ela logo dizia, calma que ainda não está na hora. E eu lá sabia mais o que era "calma" ou "hora" rs. A 1h da madrugada, começou um sangramento, as dores começaram a ficar insuportáveis, já não conseguia mais ter um dialogo completo, então meu esposo ligou pra Aline, que veio pra nossa casa. Mãe e marido apreensivos, mas me tranquilizando, força essa extremamente necessária para que tudo desse certo. Meu chuveiro começou a desarmar e parar de esquentar. Aline sugeriu que fossemos procurar um Hotel (Motel) com hidro pra aliviar minhas dores. Tudo cheio, 1 hora de busca, desistimos da hidro e apelamos por um chuveiro quente (doula e marido sentadinhos admirando minhas contrações) rs.

Por volta de 5h decidimos ir a maternidade.

Chegamos na triagem do MMA, as contrações não tinham mais intervalos, já me vinham os puxos. Entramos para ver a dilatação, 9cm. Foi aquela correria, "sobe correndo que esse bebe pode nascer a qualquer hora!" Para nossa sorte, autorizaram inclusive a entrada da Valéria para fazer as fotos do nosso parto, procedimento que não é de rotina na maternidade. Então subimos, e é claro, o chuveiro da sala de parto resolveu tbm não funcionar, água fria, água quente, dor nas costas sem fim, celular do marido tocando de 5 em 5 minutos, até que conseguimos esquentar a água na banheira, tirar os telefones de perto, e depois de 1 noite mal dormida e 2 acordadas, relaxei, e dormi. Em pleno expulsivo, só tinha vontade de dormir no intervalo das contrações. Começamos sendo acompanhadas por enfermeiras obstetras, mas ao constatar que estávamos com 42 semanas e 1 dia, recebemos tbm acompanhamento medico.


Foto por Valéria Ribeiro

Foram 12 horas de expulsivo, onde, a unica coisa que me atrapalhava era a bendita dor nas costas, e o cansaço, que não me permitiam achar uma posição que nos ajudasse. Durante todo dia foram feitas auscultas e Laurinha estava super bem.

Mas a equipe medica pelo visto apreensiva, inicialmente, queriam me aplicar antibiótico, acreditando que a bolsa estava rota, não concordamos primeiro porque eu sabia que a bolsa não havia sido rompida ainda, segundo porque sabíamos que naquela hora seria desnecessário.

Algum tempo depois, em um dos puxos senti algo, quando toquei era exatamente a "bolsa" intacta, primeira intervenção vencida. Por volta de 17h, foi sugerido que a bolsa fosse rompida pra "facilitar o nascimento" da nossa filha. Já imersa nas dores das contrações, não sabia mais se o que ela dizia fazia sentido, por mais que tenha lido, me informado de tudo durante a gestação, na hora , ali na partolândia a gente esquece quase tudo, conversei então com a Aline e ela me disse dos riscos daquele rompimento, lembrando que bebes tbm nascem empelicados. Segunda intervenção vencida.

Naquela hora eu só pensava, Meu Deus, eu só posso estar maluca de estar aqui, de querer tanto parir! E estava! Foi a insanidade mais sensata da minha vida! Uma hora depois, nossa doula sugeriu que ficássemos sós, eu, meu esposo e nossa filha, foi quando as coisas começaram a evoluir bem. Em um dos puxos, a bolsa rompeu. A essa hora, eu já não me importava mais se ela nasceria na banheira, na banqueta, ou se eu estaria em pé, a unica coisa que eu queria era tê-la em meus braços, bem! Mais de 12 horas de expulsivo, troca de plantão, gestante pós termo parindo na banheira, procedimentos nada de rotina pareciam "mexer com a equipe medica", que pouco depois voltou para a sala de parto na tentativa de "ajudar-nos".

Sala novamente cheia. Eu sentindo minha filha coroando, com 2 Obstetras, 2 enfermeiras, 2 pediatras, nossa doula, nossa fotografa, marido, todos na expectativa... por duas vezes senti minha filha coroando e não encontrava força pra terminar o puxo e parir, me bateu um leve desespero, eu logo pensava, se tivesse parindo em casa, se sequer tivesse saído de casa, já teria parido há horas, e assim será meu planejamento para o nosso próximo filho! Pedi então que todos saíssem da sala e ficássemos só eu meu esposo, a meia luz. Na minha cabeça só um certeza, agora eu vou parir!

A sensação era de ter que encontrar força onde não mais existia, quando a senti coroar: "- Amor, vê se a cabecinha dela está aqui. (sim, não sei pq, mas eu estava com medo de tocar!) - Mas, tá tudo escuro, não consigo ver! (Com a luz do flash da Valéria bem atras dele, que ele tbm sequer percebeu) - Pega a Luz e olha! -Amooor, ela tá aquiii, a cabecinha dela!! "


Foto por Valéria Ribeiro


Foto por Valéria Ribeiro


Foto por Valéria Ribeiro

Pra mim pareceu coisa de filme, rs... abriram a porta quando escutaram o "grito" do Ale e Laurinha enfim decidiu nascer! Com uma circular de cordão, 49cm e 3350kg, na água, sem nenhuma intervenção. Esperamos o cordão parar de pulsar para que o Ale o cortasse, e como eu já não aguentava mais as minhas dores nas costas, fui para a cama pra parir minha placenta, que nasceu cerca de 30 minutos depois enquanto Laurinha mamava. Pari lindamente em uma maternidade do SUS, onde tive todo o meu plano de parto respeitado. Minha princesa nasceu quando quis e como quis, com apgar 9/9, e capurro de 40 semanas. Sim, sabemos parir e bebês sabem nascer!


Foto por Valéria Ribeiro

Fotos por Valéria Ribeiro Fotografia.

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