[Relato de Nascimento] Lorrana pariu - Helena nasceu! Parto Natural Humanizado


"Um mini relato de parto...

Uma forma de agradecer a todos os envolvidos por essa experiência de renascimento. Gratidão! Ainda não é o relato detalhado, mas uma forma de reforçar que, mesmo nos dias mais duros, só tenho a agradecer. Parto da Helena...

Um parto sofrido, querido, chorado, lutado, brigado... Não pela dor, mas pelos obstáculos do processo. Um parto que começa no não parto do meu primeiro filho, que me foi roubado às 40s e 5 dias, quando o médico sentenciou que não poderíamos esperar o tempo do Bento. Deixei de lado a frustração pra me dedicar àquele ser tão desejado e amado pelo qual esperei toda a vida, mas jurei que jamais deixaria que me roubassem esse momento novamente.

Gravidez da Helena...

Nenhum planejamento, mas TODO o amor do mundo. E assim começa um longo caminho de estudos, empoderamento, buscas, questionamentos, solidão e medo. Medo da cesárea prévia, medo de estar só, medo do corpo não funcionar, medo de fazer escolhas erradas. Um caminho solitário até encontrar o Ishtar, minha doula e uma rede de mulheres incríveis, buscando o mesmo que eu. Aí sim! Me senti acolhida, me senti compreendida, me senti capaz. E de lá até o desfecho do parto foram muitas mudanças, de equipe, de local, de tudo.


Na metade da gestação decidimos pelo parto domiciliar, estávamos certos de que seria seguro e que Helena seria recebida da forma mais humana e respeitosa. Eu devia isso a mim, a ela, ao universo e a Deus que me foi tão companheiro nessa caminhada. Gravidez tranquila, nenhuma intercorrência, planos mais que consolidados.

Às 41 semanas exatas fizemos um chá de bênçãos na minha casa, era tanto amor, energia boa e ocitocina que às 22h, já indo deitar, perdi o tampão. Aquele momento me deu uma alegria tão grande, saber que o corpo estava trabalhando para chegada da Helena. Fui deitar e “viver a vida” como sempre orientou a parteira.

No dia seguinte já tínhamos uma ultra de rotina, as cólicas iam aumentando gradativamente e eu sabia que agora estávamos perto do Grande Encontro. Mas a vida prega umas peças na gente... Provação? Desígnios de Deus? Na ultra se constata uma alteração no aparelho urinário da Helena, não vista em nenhum outro exame. Era o fim do parto domiciliar. Ela poderia precisar de exames assim que nascesse, ela poderia precisar de algum cuidado específico, ela precisaria do hospital. Lembro de pensar comigo mesma “chora agora a sua frustração pela mudança de planos mas se recupera logo porque o trabalho de parto está aí e vamos depositar nele a melhor energia que tiver”. Sequei as lágrimas.


Comecei a curtir a dor! Liga pra Aline, liga pra Val, avisa Maíra, Ana. Eis que às 16:15h achamos por bem ir pro hospital, eu já não raciocinava muito, mas a amada doula chegou e me impediu de fazer tamanha bobagem. Esperamos mais, com massagem, com banheira, água quente.

Às 18:30h fomos.

Agora era pra valer. Estava muito perto. Difícil pensar na locomoção, difícil pensar. Difícil. Muita dor, alguma insegurança e um pouco de medo.

Chegamos!

Bolsa estoura na recepção. Dilatação 10. Parecia que seria já... Mas a vida é imprevisível... Duas vidas juntas então! Eu só pensava no quanto lutei por estar ali, mesmo com tanta dor, mesmo sem o conforto da minha casa.


A equipe fez o que deu pra humanizar o ambiente: luz baixa, ar fraquinho, banqueta, colchão, água dada na boca pela doula, marido sustentando meu corpo tão cansado e tão doído.

Duas horas depois chega Helena!


Linda, grande, sem choro (dela), sem susto, enrolada no cordão, amparada por mim, que corri pra segurá-la como se ainda houvesse alguma chance do mundo roubar nosso parto.


Não precisou de qualquer cuidado, ficamos juntos, os três, abraçados e nos olhando nos olhos, nos reconhecendo.

Ali mesmo reforçamos nossa promessa de uma vida de amor e respeito sempre. Ali mesmo tive a certeza que esse parto foi minha redenção.


Não foi como o planejado mas foi o melhor que pude oferecer a ela, a mim, ao Marcus, eu parecia não acreditar, eu custava a crer que havíamos conseguido.


O local já não importava mais, não me lembrava de nesse mesmo dia ter passado por tanta coisa desde aquela ultra que mudou nossos planos.


Helena nasceu, eu renasci, eu tive certeza que somos capazes de enfrentar tudo, de lutar por tudo e conseguir tudo. Tudo valeu à pena. O longo caminho percorrido, os dias de solidão, os medos, as incertezas! Naquele momento, em duas contrações, quando pudemos nos olhar, a primeira coisa que pensei: faria TUDO outra vez.

E seria egoísmo dizer que fizemos tudo sozinha...

O parto começou com a notícia da gravidez e a partir daí o Ishtar entrou na minha vida. Muita gratidão a cada relato ouvido, cada dúvida tirada, cada choro escutado, cada colo recebido... E foram três!

Gratidão a minha doula Aline Amorim, que me apresentou a mulheres sensacionais que muito me ensinaram e apoiaram. Que me deu ferramentas, que me muniu de informação e boas conversas. Que me fez chegar à melhor equipe que eu poderia ter: parteiras e médica queridas e humanas.


Gratidão ao meu marido Marcus Vinícius, amigo, parceiro que apoiou meus desejos e escolhas, apoiou meu corpo, apoiou meu coração e sustentou minha força quando eu dizia já não ter mais.

Gratidão a Deus por ter me permitido renascer com Helena e por saber que todo obstáculo foi necessário pra eu conhecer a minha força, o meu poder."

Foto: Valeria Ribeiro Fotografia

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