[Relato de Nascimento] Alice pariu - Valentina nasceu! Parto natural humanizado no SUS



O relato do meu parto começa no dia 24/12/2015, quando eu descobri que estava grávida e de uma coisa eu tinha certeza: iria lutar para realizar o sonho do parto normal. Até então eu achava que parto normal e cesariana eram as únicas duas vias de nascimento que existiam. Parto natural, humanizado, parto domiciliar??? Só fora do Brasil ou com muito dinheiro. (Mal sabia que se não fosse o tempo e o dinheiro, eu seria uma que teria filho em casa) Então eu achava que levar corte na hora do parto, parir deitada, médico falando a hora de fazer força e outras coisas que aconteceram com a minha avó, minha mãe e a maioria das mulheres antigamente (e ainda acontecem), eram super normais e certas, e eu estava preparada pra tudo isso. Um dia, uma amiga da minha irmã, Patricia, veio conversar comigo e me apresentou ao mundo do parto natural e ao Ishtar, receosa de que se eu continuasse somente com meu pensamento de parto normal em um médico de plano de saúde, certamente acabaria em uma frustrada cesariana. Fiquei com um pouco de vergonha de ir, achando que ficaria deslocada ou que iria odiar o encontro e piorou muito quando meu marido não quis ir comigo porque era um assunto que só “me” interessava. Um belo domingo, fomos (eu, o marido rsrs, minha mãe e minha irmã) ao ishtar e ficamos encantados (marido nem se fala) com os assuntos abordados, o acolhimento do grupo e ficamos apaixonados pela doula, que sabíamos que seria a nossa, tão amada Aline Amorim, que nos ajudou, nos ensinou, nos auxiliou no empoderamento e se não fosse ela, não iríamos saber da metade que hoje sabemos. Estudamos todas as possibilidades e por falta de dinheiro e planejamento para um parto domiciliar, resolvemos parir no SUS, já que todas as opções nos levavam ao Maria Amélia, mesmo com o preconceito da maioria da família. Os meses se passaram - a ansiedade já era maior que tudo - e finalmente chegou o mês de Agosto.

Quinta-feira, 25/08/2016, 14:00, 39 semanas. Dia de consulta e eu disse para obstetra que estava sentindo cólicas fortes e muita pressão lá embaixo, e ela foi me dar um toque pra saber como estavam as coisas. Toque feito e pra minha surpresa: 3 centímetros de dilatação e tampão mucoso saindo. Pânico!!!! Medo!!! Ansiedade!! Nervoso!!! T-R-Ê-S C-E-N-T-Í-M-E-T-R-O-S!!! Fiquei atordoada, tudo ainda estava por fazer e arrumar e o pior.. Nesse dia eu tinha ido sozinha à consulta, porque meu marido teve que trabalhar. Mas logo nesse dia, Deus?? A obstetra disse pra eu ir pra casa, mas na maior tranquilidade disse que poderia ser que tivesse que voltar mais tarde…(como assim?!?!?). O psicólogo Carlos(um amor de pessoa), me tranquilizou e disse pra eu ir pra casa, relaxar e me preparar psicologicamente pro parto. Foi o que fiz, peguei um táxi (fiquei inocentemente com medo de ir de qualquer outro transporte público e minha filha escorregar no caminho), fui pra casa e imediatamente contatei a doula avisando pra ela se preparar que no máximo a noite nasceria Valentina. Irritantemente calma (como sempre.. Rs), ela me disse pra relaxar e fazer coisas que eu sabia que não iria fazer por muito tempo, como por exemplo: ir ao restaurante, cinema, namorar e etc. E que os 3 cm poderiam ficar por mais de uma semana (na mosca!). E eu pensando “como assim???? Já estou com 3 cm….. Pra nascer SÓ faltam 7 cm, essa criança nasce hoje!!!!”, mas mesmo assim fui seguir o conselho dela e vivemos um ano em uma semana: praia, cinema, teatro, restaurantes, samba…E MUITA caminhada, subidas e descidas de escada, bola de pilates, chá de canela, quiabo no almoço/janta, tudo junto!!! .. e nessa agitação começaram os pródromos, contrações super irregulares, mas doloridas e longas.

E Chega Setembro.. Sexta-feira, 02/09/2016, 07:25 AM, 40 semanas. Me viro na cama e sai um pouco de líquido e junto, uma dor de barriga absurda, diarréia (e um sinal de que o parto estava próximo)... Bolsa Rota. Acordo o marido com muito cuidado e calma, porque não sabia qual iria ser a reação dele (foi a melhor possível, não se desesperou) e ele fica super animado, vai na padaria comprar coisas gostosas pra gente comer e eu aviso que vou dormir um pouco porque o dia vai ser longo. Aviso a doula que a bolsa estourou. Deito e tento cochilar um pouco, esperando o Diogo voltar, e quando da 09:00, ouço um barulho de bola estourando, muuuita água e já a primeira contração ritmada. 10/10 min. Bolsa estourou. Corro pro chuveiro pra ver se realmente funciona e cara, chuveiro quente é VIIIIIDA!!! Nesse momento, me vem um estalo de perguntar pra doula: “Qual é a cor do líquido amniótico??“ A resposta: “transparente como água..“ E eu na hora fico tensa, porque não estava transparente e sim amarelado. Mando foto pra ela, e ela fala que seria bom ir ao hospital para ver como estava a bebê, porque líquido amarelado pode ser sinal de mecônio. Meu marido ficou preocupado e insistentemente pedia pra eu sair do chuveiro. Muito contrariada, sai do chuveiro e entre uma contração e outra fui me arrumar pra ir pro MMA. Sem trânsito, chegamos lá com sorte 09:30. Chegando lá, dei de cara com o anjo chamado Monique Zappia (uma amiga do meu marido do colégio, que virou uma amiga pra vida e que me ajudou durante toda a gravidez, que também estava grávida e também estava em busca do parto natural) e ela começou a contar minhas contrações enquanto faziam a minha ficha de admissão. 03/03 min. Na correria, esqueci a minha pasta com tudo do pré-natal, então me fizeram um monte de pergunta que eu já estava cansada de responder e depois me levaram pra outra sala, onde iriam me dar um toque pra ver quantos centímetros e se a bolsa já tinha realmente estourado(estava soltando água pela enfermaria toda). Toque feito: 4 centímetros e colo fino. Pensei: “Vai demoraaar…” (bobinha!!) e uma enfermeira disse: “coloca ela na sala de espera que ela não tá com cara de quem vai parir agora não!” (Oi?!?! Só porque eu não gritava de dor??). Pediram um exame de Cardiotocografia por conta do líquido amarelado e iriam me colocar em uma maca na emergência para fazer o exame. Fiquei uns 20 minutos no corredor esperando para entrar e fazer o exame, uma contração atrás da outra. A melhor posição na hora da contração era sentada, mas com medo de não evoluir a dilatação, fiquei andando de um lado pro outro, Me pendurando no Diogo, abraçando e me contorcendo. Depois chega a Monique dizendo que uma sala de parto já estava pronta, a minha espera e que eu iria fazer o exame lá em cima.. Sorte!!! Troquei de roupa e subi para sala de parto, sentindo muita dor de barriga, fui direto pro banheiro, nada, voltei pro quarto e chegou a enfermeira pra me colocar no CTG para monitorar a Valentina. Meu marido subiu, Monique e a médica que estava colocando o aparelho na barriga. Para que esse exame dê certo, tem que ficar parada para detectar os batimentos do coração do bebê, mas deitada era a pior posição, as contrações doíam muito e eu não conseguia ficar parada. Me remexia de um lado pro outro. O Diogo me pedia o tempo todo para não mexer, mas não adiantava, piorava muito a dor. Tinha que ficar 20 minutos com o aparelho. Fiquei, até mais que 20 minutos. Quando eu sinto a primera vontade de fazer força. Primeiro Puxo. Aviso ao meu marido “Chama a Médica que eu tô fazendo força, ela vai nascer agora!”. Ele sai da sala pra chamar a médica, que volta com ele e pede para dar o toque e eu digo “eu estou fazendo força, vai nascer!!”. Toque feito e a médica diz “dilatação total, tira ela do aparelho!!”. Quando me tiraram do aparelho, eu só pensei em tirar o roupão e correr pro chuveiro quente. Que sonho!!! Nem lembrava das contrações, chuveiro quente é vida!! (Parte 2) E os puxos continuavam. Uma enfermeira trouxe a banqueta e perguntou se eu queria sentar, mas preferi ficar em pé mais um pouco. Quando comecei a sentir uma ardência lá embaixo, decidi sentar. Meu marido foi trocar de blusa e na volta trouxe a imagem de Nossa Senhora do Bom Parto que coloquei na mala, mas na correria acabei esquecendo de pegar. E quando eu vi a imagem, me deu uma força e eu fiquei muito feliz dele ter trazido ela pra mim!


Minha doula chega, apaga a luz do banheiro. O clima ficou tão aconchegante que os puxos se intensificaram e diminuiu o tempo entre as contrações, comecei a sentir o círculo de fogo. O incômodo que sentia, era só a ardência e medo. Senti muito medo. Naquela altura e eu ainda tinha medo de não conseguir, medo de tudo o que falaram de ruim pra mim, medo por todas as pessoas que me falavam “mas se não der, tem a cesária”, medo por todas as pessoas que duvidaram que eu conseguiria, medo dos cesaristas, medo dos palpiteiros, medo de roubarem o meu parto.

Fiz força uma, duas vezes e a enfermeira diz “Mãe, coloca a mão para sentir sua filha”, mas a barriga era tão grande que eu não senti nada.

E com mais algumas contrações nasce então, Valentina.

Linda, gordinha e chorona. Apgar 9/10. E eu só conseguia chorar e falar “Eu consegui, eu consegui, Ai meu Deus ela é linda, Eu consegui!!! Um grito entalado na garganta de EU PARI PORRA!! Eu venci o sistema!! Venci preconceitos!! Um parto natural sem intervenção nenhuma, sem anestesia, sem corte, sem nada.. Fiz parte de um SUS que funciona e está aí para todas as mulheres que querem parir respeitosamente!! E eu fiquei namorando aquela menininha linda, enquanto esperava a placenta nascer. Não demorou muito e as contrações voltaram, mas com bem menos intensidade e dor. Em menos de 30 min a placenta nasceu. Não gostei muito da sensação, mas foi tudo bem tranquilo. A primeira hora de vida da Valentina, ela ficou comigo, mamando e se aquecendo no meu colo, enquanto eu tomava os pontos que foram necessários pela laceração natural que tive. Depois que o cordão parou de pulsar, colocaram ela em uma incubadora do meu lado para o pai cortar o cordão, pesar, medir e receber os cuidados necessários.

Valentina Palheta Alecrim nasceu às 12:49 do dia 02/09/2016, pesando 4,025kg e 50 cm. Alice Palheta Alecrim renasceu na mesma hora e foi nomeada ao cargo de MÃE.



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