[Relato de cesárea necessária intra-parto] - Nascimento do Francisco - Gabi Domingues



Foto por Ana Kacurin

"Em uma segunda, com 39+ 5, comecei a ter contrações leves mas perceptíveis. Já estava de licença maternidade então fui contar a notícia para o marido e dar uma volta para andar e relaxar. Na terça as contrações já estavam mais fortes e constantes...usei a bola para relaxar e claro, comi comida apimentada para ajudar! Já na quarta amanheci com contrações super fortes ao ponto de ter que ir para o chuveiro, usar bolsa de água quente nas costas e ficar em posições inusitadas mas que me davam um certo alívio. Nesse dia eu tinha consulta marcada com a Bernadette Boussada, minha GO, mas não conseguia nem me mexer direito quanto mais sair de casa. Chamei a minha mãe já que eu tinha toda a certeza que estava na hora e assim que ela abriu a porta se deparou comigo de quatro no sofá, seminua e molhada. É claro que ela soltou “não era isso que você queria?” mas só da minha mãe estar ali já me senti mais segura. Falei com a Bernadette e ela disse que me atenderia a qualquer hora, então respirei fundo e me vesti para ir logo saber se eu estava em tp ou não. Chegando lá as contrações estavam piores e eu contava o tempo de duração de cada uma...para mim parecia que mais um pouco iria parir mas ainda não era a hora, quando fui atendida pela GO ela fez o toque e viu que estava sem dilatação e com o colo alto, a decepção veio, é claro, mas senti que conseguiria...era isso que eu tinha escolhido então iria até o fim. A Bernadette me acoselhou a tomar dipirona para não sentir tanto os pródomos, que estavam bem intensos, então comprei algumas caixas para ver se aliviavam as dores. Não demorou muito para o tampão sair e comemorei como o início da chegada do Chico, mandei foto para a Aline e a Bernadete e tudo estava seguindo bem. Com o tempo as contrações foram piorando e eu já não conseguia comer, dormir ou fazer qualquer outra coisa, daí começaram os vômitos constantes e contrações cada vez mais intensas. A bolsa de água quente me aliviava bastante, usava o tempo todo e dormir sentada foi a única forma que consegui, vi a madrugada passar entre as contrações cada vez mais próximas. Sexta chegou e eu estava acabada, sem dormir direito e sem acreditar que o trabalho de parto não tinha começado, à tarde senti um líquido saindo pelas minhas pernas e fiquei incrívelmente feliz achando que era a bolsa, mandei foto para a Aline, falei também com a Bernadette, chamei minha mãe novamente e falei com toda a família...estava chegando o momento, mas na verdade era muco, não era bolsa então é claro que bateu aquela decepção. Eu já estava cansada, não conseguia fazer nada, pedimos comida mas nada parava no meu estômago e um pouco depois fui no banheiro e vi um líquido verde, bateu na hora o sinal de perigo na minha cabeça e mandei a foto para a Aline avaliar, já que a Bernadette tinha viajado para um evento e me avisou no dia anterior. Sim, era mecônio e a Aline pediu para eu avisar a Bernadette e saber o que faríamos depois. Nesse momento a ajuda da Aline, minha doula, foi fundamental, eu já não pensava direito e só queria começar o meu trabalho de parto...já estava muito cansada. E foi ela que meu deu o atendimento e a segurança necessária para que tudo acontecesse da forma que deveria ser. A Bernadette passou o contato da GO backup que iria me atender e fomos correndo para a Perinatal de Laranjeiras, chegando lá fui avaliada pela Ana Beatriz, da equipe da Bernadette e soube que quem seria a médica auxiliar seria a Ana Fialho, o que meu deu uma maior tranquilidade pois já não iria ter a médica com quem planejei. A essa altura o absorvente que coloquei antes de sair de casa não suportava tanto mecônio que saia e tirei para fazer o exame de toque, para nossa surpresa eu estava com 7 para 8 de dilatação. Sim! Eu poderia parir! Festejei com a Aline a grande notícia e fiquei rindo do quanto ninguém acreditava em mim, apontei o dedo pra minha doula e disse “Viu, ninguém acreditou em mim...eu estava certa!”


A gente fica louca com as dores e desconfortos mas foi ótimo saber que cheguei a esse ponto sem dores insuportáveis, a todo momento eu aguentei na minha...sem expor, sem gritar.

Não tive total apoio da família, e nesse meio da humanização é bem normal pq lutamos contra tudo e todos, mas a rede que eu criei foi fundamental para me manter forte. O empoderamento e apoio do Pedro, somada a presença sempre frequente da doula foram necessários para mim.

Agora estava tudo bem, lindo, eu iria finalmente parir, chegou o MEU momento! Tirei a roupa e fiquei só de top, depilação nada atualizada mas eu queria isso mesmo, queria tudo da minha maneira...então a equipe me indicou a andar e agachar e foi o que fiz, andei e agachei o tempo todo. A Aline me deu algumas coisas para comer, eu estava de estômago vazio, comi melancia, bebi chocolate quente e andei, andei, agachei em todas as contrações. Mas comecei a olhar o relógio com uma maior frequência...sabia que estava demorando, mas é assim mesmo, cada um no seu tempo. Deu vontade de ir no banheiro, fui mas nada saiu...cansei e descansei um pouco na baqueta. As dores nas costas estavam aumentando mas ainda nada de expulsivo. E andei, andei até assar e mesmo assim andei. Então a Ana Beatriz me indicou a banheira para ver se as coisas adiantavam, a Aline encheu a banheira, apagou a luz e o Pedro ficou comigo por um tempo, depois me deixou sozinha. Eu tenho uma certa fobia por escuro e isso me travou um pouco no começo mas depois só me preocupei com a chegada do chico, eu ficava chamando ele e acariciando a barriga mas já não sentia muito as contrações...o trabalho de parto já não andava mais. Quando sai da banheira a Ana Beatriz sugeriu fazer o toque e viu que eu estava com 9,5 cm de dilatação e a Ana Fialho sugeriu uma posição para tentar adiantar as coisas, eu sabia que ali o meu tempo estava quase esgotando mas nunca que tinha esgotado. Logo depois as duas, Ana Fialho e Ana Beatriz disseram que eu teria que ir para a cesárea mesmo com o batimento do Chico perfeito mas com as horas passando já não poderíamos correr o risco de aspiração. Chorei muito nesse momento e a Aline conversou comigo perguntando se eu queria tentar mais um pouco, eu pedi esse tempo e pela primeira vez, ficamos sozinhos na sala de parto. Ali minhas contrações tinham sumido e o Pedro me aconselhou a interromper, ele me contou o quanto eu fui forte mas que agora o meu corpo já não respondia mais.


Então fui logo para a sala de cirurgia, que já estava montada e com a equipe me esperando. Todos foram ótimos e carinhosos, a anestesista me deixou na posição mais confortável e o Pedro foi meu apoio nesse momento. Dei entrada por volta das 22h e às 7 da manhã o Francisco nasceu. Todos da equipe me deram apoio e eu só sabia agradecer por tudo mas na verdade a ficha nem tinha caído e foi no primeiro dia em casa que realmente percebi que não tinha parido. Não tive muitos problemas com a amamentação, o chico está super bem e gordinho...mas o meu não parto ainda me frusta e sei que vai ser assim.


Eu não fui enganada para fazer a cesárea, estava informada e com uma equipe humanizada, estava tudo certo para o meu parto mas infelizmente faço parte das mulheres que necessitam sim de uma intervenção, faço parte dos 15% que precisam de uma cesárea necessária."

A Gabi participou do programa Boas Vindas do canal GNT e foi ao ar ontem. Para assistir as reprises, fique de olho nos horários alternativos:

SÁB 15:30 DOM 11:30 SEG 08:00 QUA 18:30.

Gabi também me escreveu esse depoimento lindo hoje pela manhã e encheu o meu coração e o meu dia de amor e carinho!

"Entre idas e vindas, nesse mundo que gira e nada permanece no mesmo lugar... Percebo que faltou um agradecimento, um último suspiro oficial com um desejo de seguir em frente. Com todo o planejamento, idealização... Um se permaneceu, ela.... Minha doula. A quem o destino não me deixou na mão, e a própria me manteve segura, em paz. Obrigada por estar lá, por ser meu apoio Sua presença foi fundamental e sempre será."

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