Doula + Acompanhante = Time dos sonhos das gestantes <3



Durante todos esses anos que venho atendendo como Doula é bem frequente ser questionada sobre como fica o lugar do acompanhante (em geral o Pai) durante o trabalho de parto quando a mulher escolhe ter uma doula.

Este questionamento por vezes vem carregado de dúvidas como:

“Não será muita gente na sala de parto?”

“A Doula não vai “roubar” o lugar do acompanhante?

“O pai não pode ficar intimidado com a presença da Doula?”

“Não será mais um gasto desnecessário?”

E por isso resolvi escrever esse texto tentando responder estas perguntas comuns sobre o meu ponto de vista.

Com relação ao espaço físico existe ainda pouca informação sobre como, de fato, são as salas de parto e a rotina de atendimento baseada em evidências. Infelizmente como a maioria das salas de parto ficam dentro de centros cirúrgicos é difícil, mesmo com as as visitas na maternidade, poder conhecer as salas com antecedência.

Em geral as salas de parto são suítes com espaço para a gestante caminhar, banheiro individual (algumas mais modernas com banheiras) e controle de iluminação independente.

Além disso, segundo as equipes de saúde (obstetras, enfermeiras obstetras, obstetrizes, pediatras, anestesistas…) não ficam todo o tempo dentro da sala de parto.

Na rotina comum durante a internação e fase inicial apenas a obstetra da gestante vem avaliá-la, ouvir os batimentos do coração do bebê e sai, voltando de tempos em tempos. Logo, por boa parte do período de internação gestante e acompanhante ficam sozinhos na sala de parto*.

Sendo assim se este é seu primeiro parto isso quer dizer que mesmo inexperientes você e seu acompanhante ficarão boa parte do tempo sozinhos em casa e na sala de parto da maternidade (ao menos até a fase ativa).


Muitas vezes no caminho de busca por um parto humanizado a gestante, principal interessada, é a que está mais informada, lê, estuda, pesquisa, vê vídeos… Os acompanhantes tendem a ser estimulados a participar destas incríveis descobertas com elas, mas, infelizmente, na maior parte dos casos as demandas da vida fazem com que o acompanhante se informe menos e esteja, salvo exceções, menos preparado do que a gestante.

E o que acontece quando a mulher entra em trabalho de parto? Durante o trabalho de parto a mulher, vivendo as dores e delícias do momento, pode ficar mais entregue (já ouviram o termo partolândia?), menos racional e vivendo a experiência como ela merece. <3

E o acompanhante? O acompanhante passa a ser o motorista da rodada, nada de muitas viagens, entrega, curtir o momento, pois afinal ele será o responsável por identificar se tudo está indo dentro do esperado, contar contrações, organizar os objetos que serão levados para maternidade, avisar a equipe, dar apoio à mulher, ajudar com massagem, comida, água, idas ao banheiro, chuveiro…

Como relaxar e viver junto com a gestante esta experiência incrível de nascimento se é preciso estar LIGADÃO em tantos detalhes e controles?

“Aquela quantidade de sangue, normal ou não?”

“Vômito? Não sabia que podia vomitar e agora, a gente espera ou vai correndo para a maternidade?”

“Isso foi uma contração? E agora, outra? O que você tá sentindo?”

Embora muitos acompanhantes mergulhem no universo do parto humanizado, ainda é bastante comum que o nervosismo e a necessidade de se manter no controle faça com que a pessoa esqueça muita coisa.



A presença de uma Doula neste momento pode garantir doses extras de tranquilidade. Doses que podem ser fundamentais para que o acompanhante, muitas vezes o pai, possa viver integralmente a experiência de apoiar a gestante e ver seu filho chegar sem se preocupar com outras coisas.

Além disso a Doula pode ajudá-lo dando dicas de massagem, posição e cuidando do ambiente para que eles possam curtir juntos esse momento tão esperado.

E não é só no parto!! Durante a gestação a Doula ajuda o acompanhante a se preparar para a experiência do nascimento, a identificar sinais de parto, dá dicas de como apoiar a mulher durante os pródromos, no trabalho de parto e de como se preparar melhor para o puerpério.

Quando não tem Doula, na maior parte do tempo a mulher só pode contar com o apoio do acompanhante, que perde parte do direito de ficar nervoso, cansado e de curtir a experiência. Imagina se ele desmaiar, ou precisar de uma xícara de café, um almoço reforçado ou umas horinhas de sono para ficar revigorado durante um parto mais longo? O acompanhante vai deixar a mulher sozinha? Vai se sentir tranquilo para sair da sala se precisar?


E após o nascimento do bebê, o acompanhante vai seguir com o filho para o berçário deixando para trás a mulher. Se ela tiver uma Doula, não ficará sozinha. <3 

A presença de uma Doula te ajuda a reconhecer melhor o momento da ida para a maternidade, reduz taxa de cesariana, necessidade do uso de ocitocina sintética, analgesia e muito mais, mas é a presença do acompanhante de escolha da mulher que mais aumenta a sensação de bem-estar com a experiência*.

Nestes anos de profissão posso afirmar sem medo que os acompanhantes podem ser os nossos melhores parceiros de trabalho <3

Então, vai perder a chance de ter um time como esse?

*Segundo as evidências científicas o profissional de saúde não ficar o tempo todo na sala garante a você menores chances de intervenção desnecessária*


Por Gabriela Prado, psicóloga e doula.

49 visualizações

PROCURE NESTE SITE

  • Facebook Aline Amorim Doula
  • Instagram - Aline Amorim Doula