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O QUE É DOULA?

Origem e significado

"A palavra "doula" vem do grego "mulher que serve". Nos dias de hoje, aplica-se às mulheres que dão suporte físico e emocional a outras mulheres antes, durante e após o parto.

Antigamente a parturiente era acompanhada durante todo o parto por mulheres mais experientes, suas mães, as irmãs mais velhas, vizinhas, geralmente mulheres que já tinham filhos e já haviam passado por aquilo. Depois do parto, durante as primeiras semanas de vida do bebê, estavam sempre na casa da mulher parida, cuidando dos afazeres domésticos, cozinhando, ajudando a cuidar das outras crianças.

Conforme o parto foi passando para a esfera médica e nossas famílias foram ficando cada vez menores, fomos perdendo o contato com as mulheres mais experientes. 

Dentro de hospitais e maternidades, a assistência passou para as mãos de uma equipe especializada: o médico obstetra, a enfermeira obstétrica, a auxiliar de enfermagem, o pediatra. Cada um com sua função bastante definida no cenário do parto. O médico está ocupado com os aspectos técnicos do parto. As enfermeiras obstetras passam de leito em leito, se ocupando hora de uma, hora de outra mulher. As auxiliares de enfermeira cuidam para que nada falte ao médico e à enfermeira obstetra.

Foto por Ana Kacurin

O pediatra cuida do bebê. Apesar de toda a especialização, ficou uma lacuna: quem cuida especificamente do bem estar físico e emocional daquela mãe que está dando à luz? Essa lacuna pode e deve ser preenchida pela doula ou acompanhante do parto.

O ambiente impessoal dos hospitais, a presença de grande número de pessoas desconhecidas em um momento tão íntimo da mulher, tende a fazer aumentar o medo, a dor e a ansiedade. Essas horas são de imensa importância emocional e afetiva, e a doula se encarregará de suprir essa demanda por emoção e afeto, que não cabe a nenhum outro profissional dentro do ambiente hospitalar.

A doula e o pai ou acompanhante

A doula não substitui o pai (ou o acompanhante escolhido pela mulher) durante o trabalho de parto, muito pelo contrário. O pai muitas vezes não sabe bem como se comportar naquele momento. Não sabe exatamente o que está acontecendo, preocupa-se com a mulher, acaba esquecendo de si próprio. Não sabe necessariamente que tipo de carinho ou massagem a mulher está precisando nessa ou naquela fase do trabalho de parto.

Eventualmente o pai sente-se embaraçado ao demonstrar suas emoções, com medo que isso atrapalhe sua companheira. A doula vai ajudá-lo a confortar a mulher, vai mostrar os melhores pontos de massagem, vai sugerir formas de prestar apoio à mulher na hora da expulsão, já que muitas posições ficam mais confortáveis se houver um suporte físico.

 

Por Ana Cris Duarte
www.Doulas.com.br

Interpretando as evidências científicas

Por definição, uma doula é uma mulher que oferece suporte contínuo durante o trabalho de parto e o parto.
De modo geral, o tipo de suporte que a doula oferece não pode ser substituído nem pelo cuidado da família e amigos, nem mesmo pelo cuidado dos profissionais de saúde que acompanham o parto (sejam eles enfermeiras, parteiras, obstetrizes ou médicos). 
Muitas pessoas confundem esses papéis, mas existem inclusive estudos científicos que mostram que eles não são a mesma coisa e que os benefícios de ter uma doula no seu parto são maiores do que aqueles obtidos quando o suporte é da sua rede social ou é um profissional de obstetrícia.

Suporte contínuo significa que uma pessoa oferece apoio durante todo o trabalho de parto e parto para aquela mulher especificamente, no esquema um-a-um (uma pessoa de suporte para uma mulher). 
Esse tipo de suporte foi analisado em 21 estudos que avaliaram mais de 15.000 mulheres em vários lugares do mundo, para identificar se essa é uma estratégia que melhora os resultados do parto. 

 

Estes estudos observaram que ter suporte contínuo resultou nos seguintes benefícios:

  • Um aumento de 8% no número de mulheres com parto vaginal espontâneo

  • Uma redução de 10% na necessidade de analgesia ou anestesia de qualquer tipo durante o parto e de 7% no uso de analgesia ou anestesia regional (raquidiana ou peridural)

  • Uma redução de 31% no número de mulheres que relataram ter sentimentos negativos sobre a experiência de parto

  • Uma redução de 10% no número de mulheres com partos instrumentais (fórceps ou extrator a vácuo)

  • Uma redução de 21% no risco de cesárea

  • Uma redução de 30% no número de bebês com Apgar baixo

 

Outros indicadores foram avaliados, mas não foi identificado nenhum benefício adicional do suporte contínuo para eles. Alguns desses estudos avaliaram ainda se o tipo de pessoa que oferece o apoio um-a-um tem algum impacto sobre esses resultados. Ou seja, se o benefício é diferente quando esse suporte é prestado por alguém da rede social da mulher, por uma doula ou por um profissional da equipe. E é aí que a atuação da doula se diferenciou dos demais tipos de cuidador. Vejamos como!

 

  • Uso de ocitocina

    • Pessoa da rede social: não houve benefício para esse indicador

    • Doula: redução de 31%

    • Equipe técnica do hospital: aumento de 6%

 

  • Parto vaginal espontâneo

    • Equipe técnica do hospital: não houve benefício para esse indicador

    • Doula: aumento de 12%

    • Pessoa da rede social: não houve benefício para esse indicador

 

  • Cesárea

    • Equipe técnica do hospital: não houve benefício para esse indicador

    • Doula: redução de 28%

    • Pessoa da rede social: não houve benefício para esse indicador

 

  • Sentimentos ou pensamentos negativos em relação ao parto

    • Equipe técnica do hospital: não houve benefício para esse indicador

    • Doula: redução de 34%

    • Pessoa da rede social: redução de 43%

 

 

Referência: Hodnett ED, Gates S, Hofmeyr GJ, Sakala C, Weston J. Continuous support for women during childbirth. Cochrane Database of Systematic Reviews 2011, Issue 2. Art. No.: CD003766. DOI: 10.1002/14651858.CD003766.pub3.

 

Fonte: Maíra Libertad